Aspectos relevantes em projetos de armazenamento temporário de resíduos em condomínios.

Aspectos relevantes em projetos de armazenamento temporário de resíduos em condomínios.

Exemplo de reclamação do morador do condomínio:

Vários aspectos inconvenientes quanto ao lixo. Primeiro aqueles que jogam as necessidades de seus animais diretamente na lixeira, alguns condôminos que separam seu lixo (org e reciclável) fazem isso atoa, pois a empresa de coleta leva tudo junto. E os catadores que rasgam os sacos e reviram tudo atrás de recicláveis. Pensei em colocar uma lixeira com sacos grandes de lixo, onde possam ser retirados com tudo dentro. Ou várias lixeiras, não sei...

 

Exemplo de aviso de mau uso da lixeira em condomínio:

Prezados condôminos,

A administração do Condomínio foi comunicada de que alguma pessoa vem infringindo o Regimento Interno no que se refere aos procedimentos quanto ao uso das nossas LIXEIRAS internas, como, por exemplo, a prática de colocação de lixo diretamente nos pisos e não nos 2 (dois) vasilhames destinados a tal fim; a quebra de vasilhame ocasionada por colocação do lixo sobre a tampa; colocação do lixo sem estar acondicionado em sacos plásticos; colocação de grandes volumes nas lixeiras; e outras práticas nocivas ao bem estar comum, principalmente no que se refere ao descarte de urina e fezes (de animais) e a prática de urina humana diretamente nas tampas das lixeiras, as quais caracterizam uso indevido do local.

Destacamos o que dispõe o Art. 6º do Regimento Interno, que regula as Normas Gerais de Utilização e Funcionamento do Edifício, em Disposições Gerais, que roga pela observância dos seguintes procedimentos com relação à utilização das LIXEIRAS:

1 – O LIXO e outras varreduras deverão ser colocados na lixeira, devidamente embrulhados em sacos plásticos lacrados apropriados para esse fim, de modo a não respingar nem sujar os corredores no trânsito entre o apartamento e a lixeira, nos compartimentos próprios de cada pavimento;

2 – OBJETOS de difícil compactação ou de GRANDE VOLUME deverão ser colocados diretamente no “container” localizado no térreo do prédio;

3 – As PORTAS de entrada dos compartimentos de lixo deverão ser mantidas FECHADAS;

4 – Deverá ser observada a COLETA SELETIVA.

Solicitamos ainda que essas Normas sejam repassadas às respectivas famílias, empregados(as) e prestadores de serviços ocasionais.

Contamos com a colaboração de todos em prol dos interesses da coletividade.

 

A estruturação do sistema de limpeza e elaboração de projetos de armazenamento temporário de resíduos é alvo de muitas dúvidas por parte dos síndicos e de sua equipe administrativa: projetos e padrões de construção, ampliação ou mesmo remodelação, pensando na operacionalização do sistema de coleta seletiva interna do condomínio. Era uma situação muito comum que síndicos e condôminos não davam muita importância para a gestão dos resíduos. Quando foi comprar seu imóvel, o corretor levou para conhecer a lixeira do condomínio onde você ia morar?

 

Ao comprar coletores de lixo para as áreas comuns do condomínio, é importante escolher adequadamente o tamanho e o material com que é feito o produto, uma vez que é sempre recomendável superdimensionar um coletor de resíduos do que acabar comprando uma menor que resultaria certamente em críticas devido ao recurso mal investido, ou seja, é melhor que sobre espaço para a deposição correta do material.

 

Para áreas de eventos, como churrasqueiras, são indicados coletores com rodas, nos tamanhos de 120 litros ou 240 litros, dependendo do tamanho do espaço. Condomínios que realizam a coleta seletiva de materiais recicláveis, o ideal é dispor de no mínimo duas unidades, uma para o lixo orgânico, misturado, e outra para os recicláveis (especialmente latinhas de cerveja e refrigerante). Caso o condomínio tenha dentro do seu Plano de Gestão de Resíduos o objetivo de gerar benefícios com os materiais vendidos é interessante sugerir que o consumo de bebidas seja feito com latas de alumínio, uma vez que a valorização do material, diferente do vidro, é rápida e garantida, já que o mercado de vidros encontra-se praticamente parado, conforme relatam as recicladoras. Nos condomínios da região da Grande Florianópolis, a reciclagem do vidro praticamente é inviável, as recicladoras não conseguem viabilizar a recolha e o transporte do material devido o preço praticado pelo mercado de vidros e acaba se tornando um rejeito e indo para aterro.

 

Próximo as área de playground, quadras esportivas e também no deck da piscina é preciso dispor coletores, onde há circulação de pessoas. Existem no mercado diversos modelos para serem fixados na parede ou no piso, é importante que esta informação esteja detalhada no PGR, nos fluxos de processo de coleta do material até o local de armazenamento, tratamento ou armazenamento.

 

Condomínios que separam papel, plástico, metal e vidro podem optar pelos quatro coletores coloridos, observando a CONAMA 275/2001, que estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva. Para as coletores que ficarão expostas ao tempo, é essencial escolher modelos em polietileno de alta densidade com tratamento anti-UV.

 

Para o acondicionamento do lixo antes de ser colocado para coleta, são recomendados os coletores de 360 litros ou superior com rodas, tampa e dreno para limpeza.

Para iniciar um projeto de lixeira externa, primeiramente, como em todos os materiais postados, começo sugerindo a procura de um consultor ou de uma empresa especializada em projetos de gestão de resíduos, podendo ser encontrada na plataforma Recicleaqui.com, no endereço http://recicleaqui.com/consultor. Este profissional poderá desenvolver propostas que atendem a necessidade dos moradores, com a implantação de sistemas de reciclagem e elaboração de projetos de lixeiras dimensionadas conforme a geração de resíduos.

 

O dimensionamento de estruturas para a gestão dos resíduos é observado no “Manual para edificações multifiliares de uso misto”, onde são descritos alguns aspectos relevantes no dimensionamento da quantidade de resíduos gerados nos empreendimentos residenciais e que facilitam na definição da estratégia de gestão:

1 – Consultar a legislação municipal e as empresas responsáveis pela gestão dos resíduos, quanto à frequência de recolha e os dias para os serviços de recolha de resíduos convencional e seletiva;

2 – Definir uma geração per capita, neste caso pode ainda ser utilizado dados indiretos, que podem ser obtidos no Plano de Gestão de Resíduos do Município;

3 – Para os resíduos recicláveis estimar, por meio da análise gravimétrica, o fator reciclagem, a densidade do material reciclável. Podendo ser usado dados indiretos, encontrados no Plano de Gestão de Resíduos do Município;

4 – Posteriormente os cálculos deverão ser feitos com o objetivo de definir um volume de geração e a capacidade volumétrica da área de armazenamento, para os resíduos não recicláveis e recicláveis, em função da frequência de recolha das empresas contratadas pelo município para a recolha e transporte de cada um dos resíduos;

5 – Quanto à estrutura de armazenamento temporário dos resíduos gerado no condomínio: deverá estar localizado no pavimento térreo, sugere-se ter capacidade de armazenamento de no mínimo 3 dias, observado a frequência de recolha do município;

6 – A estrutura deverá estar impermeabilizada, com material liso e de fácil manutenção, com sistema de drenagem e estrutura para sua higienização;

7 – A construção de portas dificulta a entrada de roedores e vetores, sendo necessária a identificação do tipo de resíduo que o coletor esta destinado a receber;

8 – O depósito temporário externo deverá estar junto ao alinhamento do muro frontal, com local visível na parte interna do imóvel, para não causar impedimentos nos passeios e com recuo para o veículo de recolha, para não haver obstrução do trânsito, neste caso o cálculo do tamanho da área deverá considerar o armazenamento para uma frequência de recolha compatível com a realizada pelo município, armazenando os resíduos não recicláveis e recicláveis, conforme item anterior.